“Gangue do McDonald’s”: tribunal confirma penas entre 20 e 24 anos e meio de prisão

January 26, 2010 by: Admin

“Gangue do McDonald’s”: tribunal confirma penas entre 20 e 24 anos e meio de prisão

O Tribunal Judicial de Valença confirmou ontem penas entre os 20 e os 24 anos e meio de prisão para os quatro elementos do chamado “gangue do McDonald’s” alegadamente envolvidos no homicídio de um gasolineiro, naquele concelho.

O gangue integrava ainda mais dois elementos, que foram condenados a 13 e a sete anos e seis meses de cadeia, penas mais leves resultantes do facto de o tribunal ter considerado que não participaram no homicídio.

Estas penas já tinham sido aplicadas a 27 de Abril de 2009, mas a defesa dos arguidos recorreu para a Relação, que pediu ao Tribunal de Valença um novo acórdão, com melhor fundamentação.

Contactados pela Lusa, os advogados de dois arguidos condenados a 20 anos de prisão garantiram que vão recorrer, considerando que, “no fundo, o acórdão é o mesmo, acrescentado de 20 páginas”.

“Não se fez qualquer prova dos crimes”, afirmam.

Durante as alegações finais, os advogados de defesa tinham sido unânimes em pedir a absolvição dos arguidos, considerando que toda a acusação se baseou “em convicções” dos agentes da Polícia Judiciária (PJ) “alicerçadas em conversas informais”.

“Há apenas indícios e vestígios, mas não há quaisquer provas”, defenderam.
 Além do homicídio, os elementos do gangue foram também condenados por cerca de três dezenas de crimes de roubo praticados um pouco por toda a região Norte, sobretudo em restaurantes da cadeia McDonald’s e em postos de abastecimento de combustíveis, mas também em ourivesarias.

  • Outros crimes

 

Foram-lhes igualmente imputados vários episódios de “carjacking” (roubo de carros com violência).

Ofensas à integridade física, dano com violência e detenção de armas ilegais foram outros dos crimes atribuídos ao gangue, que tinha “quartel-general” na zona da Maia, de onde são oriundos cinco dos seus elementos.

O crime mais grave (o homicídio do gasolineiro) ocorreu na madrugada de 19 de Agosto de 2007, num posto de abastecimento de combustível na freguesia de Arão, concelho de Valença.

O funcionário da gasolineira, com 27 anos, foi atingido com dois tiros na cabeça e morreu três dias depois no Hospital de S. João, Porto, vítima de traumatismo cerebral.

Segundo o tribunal, os arguidos actuavam sobretudo em zonas isoladas e durante a noite ou madrugada, fazendo-se transportar em viaturas roubadas por “carjacking” e actuando de forma “altamente violenta”.

Usavam bastões de basebol e armas de alarme e de fogo, entre as quais um revólver de calibre 12 milímetros, disparavam normalmente para o ar, para intimidar as vítimas, e também iam quase sempre munidos de pedras e paralelos em granito, que usavam para partir as montras dos estabelecimentos que pretendiam assaltar.

Todos os arguidos tinham antecedentes criminais, dois deles por homicídio qualificado, na forma tentada.

Fonte: SIC Notícias

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