Gangue de Valbom ameaçou matar inspector da PJ

September 17, 2009 by: Admin

Gangue de Valbom ameaçou matar inspector da PJ

Nos 32 crimes imputados a 20 indivíduos constam a associação criminosa, tentativa de homicídio, sequestro, ofensas à integridade física e tráfico de armas. Um suspeito, após ‘carjacking‘, ameaçou de morte um inspector.

O Ministério Público (MP) já deduziu acusação contra vinte indivíduos do chamado gangue de Valbom, um grupo que cometeu uma série de assaltos violentos na região Norte. Entre os 32 crimes imputados constam a associação criminosa, roubo, furto, ofensas à integridade física, homicídio na forma tentada, sequestro, incêndio, ameaças, tráfico de armas e falsificação de documentos. Os advogados deverão requerer a abertura da instrução para tentar a redução do número de crimes.

Ainda de acordo com o processo, vinte dos crimes foram praticados em co-autoria material e em concurso real por 15 dos arguidos. Sete encontram-se em prisão preventiva e outros dois estão a cumprir pena à ordem de outros processos. As primeiras detenções, recorde-se, aconteceram a 16 de Setembro de 2008. Entre os crimes consta a tentativa de homicídio de um inspector da PJ, que em 2008 foi baleado por elementos do gangue durante um assalto por carjacking, na Maia. O  carjacking ocorreu, na Maia a 16 de Abril de 2008, onde  roubaram a arma de serviço ao inspector da PJ. A  vítima – que foi mutilada em quatro dedos da mão direita e atingido no rosto e pescoço com um disparo de shotgun – terá reconhecido Fábio Silva, conhecido como “Fábio Gordo do Cerco”. Diz a acusação que, aquando do reconhecimento, Fábio terá dito: “Sei onde mora o inspector Carlos Castro. Se vou pagar por isto, então é que faço mesmo. Ele não sabe com quem se mete. Pensa que por ser inspector não vai como os outros? Eu só levo 25 anos e, se for apanhado, podem ter a certeza que mato esse.”
Segundo a acusação do Ministério Público, “o grupo operou com maior relevância no Norte do País, com a exclusiva finalidade de se apropriar indevidamente de objectos de ouro e prata, de ourives e ourivesarias, de telefones das redes móveis e respectivos acessórios e outros objectos, bem como quantias em dinheiro do Banco Central Europeu”. Ainda de acordo com a acusação, a que o DN teve acesso, a 4 de Abril de 2008 terão cometido três dos crimes que lhes são imputados. Pelas 00.40, na zona de Ardegães, concelho da Maia, protagonizaram uma tentativa de carjacking que saiu frustrada porque a condutora conseguiu fugir. Cerca de uma hora depois, em Baguim do Monte, Gondomar, roubaram através do mesmo método um Nissan Primera. Apontaram uma arma ao condutor e atingiram-no com vários socos. Já durante o dia, pelas 13.30, fazendo-se transportar nessa mesma viatura, roubaram um Toyota através de ameaça com arma de fogo em Mira, Aveiro, atingindo o condutor com a coronha. Vários outros crimes são descritos no documento de acusação do MP, que cita várias mensagens trocadas entre os arguidos, comentando muitas vezes os crimes que cometiam.

O advogado Pedro Miguel Carvalho contestou acusação ao seu cliente – o arguido Bruno C., conhecido como “Skin”, um dos presos preventivos. “Quando foi aplicada a medida de coacção de prisão preventiva foi-lhe imputada a prática três crimes [associação criminosa, roubo e tráfico de armas]. Agora encontra-se acusado de 22 crimes em co-autoria, sem que nunca tenha sido confrontado com as novas imputações e sem que lhe tenha sido possível defender-se das mesmas”, disse ao DN.

Segundo o causídico, a acusação ao seu constituinte é “deduzida sem qualquer suporte de prova material credível e parte de presunções e de pura ficção inaceitável num Estado de Direito”. “E com base nessa ficção está o meu constituinte preso há um ano”, conclui.

Fonte

DN PORTUGAL

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