Gangue de Valbom acusado de mais crimes

June 16, 2010 by: Admin

Gangue de Valbom acusado de mais crimes

O colectivo de juízes que está a julgar o gangue de Valbom concluiu pela existência de indícios, contra um dos arguidos, de tentativa de homicídio de um inspector da PJ do Porto, aquando de um assalto. As acusações contra os demais suspeitos foram ontem agravadas.

A comunicação de alterações de factos acusatórios foram ontem efectuadas nas Varas Criminais do Porto. Os arguidos têm agora dois dias para se pronunciarem sobre a possibilidade de serem condenados como “bando” na prática de roubos, o que acentua a gravidade de vários destes ilícitos, puníveis com penas de prisão entre três e 15 anos.

Os acusados foram, também, confrontados com crimes de posse de arma proibida que não constavam na acusação submetida a julgamento. Os advogados podem agora requerer diligências de prova para defesa perante mais estes ilícitos.

Esta diligência aconteceu numa altura em que pouco tempo faltava para a leitura do acórdão, pelo que os factos comunicados constituirão aquilo que os juízes entendem poder ter ficado provado durante as audiências.

Por outro lado, foram apurados factos mais graves do que aqueles que constavam da acusação, como a tentativa de homicídio de um inspector da PJ, aquando de um “carjacking” tentado, em Abril de 2008. Mas este crime, por se considerar alteração substancial, só poderia ser apreciado neste julgamento com o acordo do único arguido visado, conhecido como Fábio “Gordo”. Mas este não aceitou ser julgado por aquele ilícito, o que abre portas à actuação do Ministério Público (MP).

MP trabalha para acusar

O caso da tentativa de homicídio do inspector da PJ – recorde-se – constava da acusação do MP. Mas foi retirado pela presidente do colectivo de juízes, por falta de indicação expressa quanto à intenção do disparo – tanto poderia ser para roubo como para homicídio.

No julgamento, caso foi analisado apenas como roubo, mas o depoimento, em audiência, do inspector vítima do tiro serviu para reforçar a suspeita de que o disparo pode ter sido efectuado com intenção de matar.

No entanto, face à “queda” daquele ilícito, o MP estava há meses a trabalhar no sentido de produzir uma nova acusação por este e outros factos alegadamente praticados por membros do gangue. O que ainda está a ser feito.

Os advogados têm até amanhã para proporem a realização de diligências adicionais relativas aos novos factos “não substanciais”. Só depois será redigido o acórdão.

O julgamento tem vindo a caracterizar-se por tumultos, incluindo ameaças e recusa de depoimento por parte de testemunhas.

Tal como já noticiou o JN, um dos últimos estranhos episódios aconteceu no final de Maio com um dos arguidos que se encontram em liberdade: foi furtado o seu carro, depois de, no interior do edifício do tribunal, lhe terem desaparecido as chaves.

O arguido “vítima” desconfia que o autor do furto pode ter sido alguém presente no tribunal (ou até no julgamento).

in Jornal de Notícias

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